3 hábitos mentais (que eu aprendi) de atletas de alta competição

Nos últimos meses tenho lido muito sobre a preparação mental de atletas de alta competição. Porque acho que aquilo que eles passam, no nível alto em que estão, se pode aplicar a mim e a outras áreas da vida que não o desporto. Os três maiores ensinamentos que retive e que escrevo aqui porque podem trazer valor a alguém:

1) Entusiasmo face à dificuldade

Surpreendia-me sempre como é que grandes atletas, face a colossais desafios, mantinham sempre uma atitude de entusiasmo mesmo sabendo que iam enfrentar algo dificílimo. Vim a descobrir – através do Simon Sinek – que isso é treino. As reacções fisiológicas do nosso corpo perante o nervosismo e o entusiasmo são exactamente as mesmas. O batimento cardíaco eleva-se, ficas tenso, ansioso pelo que está para vir. Aquilo que muda é a nossa interpretação mental desse estímulo físico. O que os atletas de alta competição aprendem e treinam é a condicionarem-se para interpretar esse estímulo como entusiasmante e não como nervoso.

Tenho feito uma experiência no crossfit num tipo de treinos que são os emom (every minute on the minute). Sempre que o relógio bate no minuto certo tens de cumprir X tarefas. Quanto menos tempo demorares, mais tempo tens de descanso até começar o próximo minuto (mas também maior desgaste). Aquilo que me acontecia nos poucos segundos de descanso até começar o minuto seguinte era entrar em modo de pânico de “não tenho tempo nenhum para descansar/preciso de mais tempo/o próximo vai ser horrível/tou na merda”. Quando li esta teoria do Simon Sinek comecei a focar todo o meu pensamento – naqueles segundos de descanso – para “por favor chega mais rápido/quero muito fazer o próximo/vou adorar fazer o próximo” (e variações disto). E faz uma diferença do caraças! O meu coach é testemunha. Eu era o gajo que tinha sempre de saltar um minuto ou dois lá no meio e agora, nos últimos meses, tenho feito todos os emoms completos.

Comecei a perceber que isto estava a dar resultados intrínsecos quando, há uns tempos, conheci uma pessoa com um grande conhecimento sobre uma área muito específica de marketing digital. Achava eu que sabia algumas coisa do tal assunto mas, durante a conversa, senti-me tão burro e tão ignorante. Levei um bailinho. Mas, tão simultaneamente como me estava a sentir burro, senti uma pica e um entusiasmo brutal porque, ao descobrir uma dificuldade e uma lacuna, vi uma direcção onde podia ir, uma oportunidade para aprender e ser melhor. Creio que, perante esta mesma situação, podia ter tido a reacção oposta. Retrair-me e afastar-me da dificuldade. Mas eu só quis foi mais dessa dificuldade. Fiquei mesmo feliz pela reacção genuína que tive. Veio mesmo de dentro. E creio que, em parte, foi devido a este treino mental dos últimos meses: entusiasmo face à dificuldade.

2) Focam-se naquilo que podem controlar

Li uma história sobre um grupo de atletas cujo treinador, mesmo antes de uma competição, lhes pediu para escreverem uma lista de coisas que podiam correr mal na competição que se avizinhava. A lista de cada um tinha mais de 100 coisas. O árbitro não ver X, o adversário fazer Y, etc, etc. Então o treinador pediu-lhes para riscarem da lista tudo o que não podiam controlar.

Surpreendentemente, o que sobrou nas listas foram muito poucas coisas: dedicação ao treino diário, rigor na alimentação, disciplina no sono/recuperação (dormir x horas, sempre à mesma hora) e manter uma atitude positiva. Tudo o resto estava fora do alcance de cada um deles. Por isso não valia a pena perder tempo mental com isso.

Tento ter sempre isto presente em mente. Nenhum de nós consegue controlar se o “árbitro” é cego ou se os nossos “adversários” são mesquinhos e nos vão fazer uma rasteira no sprint da meta. Há muito poucas coisas que podemos controlar. Cabe-nos descobrir quais são, em cada uma das nossas “competições”, entrarmos a pés juntos nela e não perdermos tempo mental com o resto.

3) Ser campeão

Muitos atletas de alta competição já são campeões antes de o serem. Eles não passam a agir e a pensar como campeões só depois de ganharem a competição. Serem campeões vem como consequência deles já pensarem e agirem como campeões. Eles não começam a treinar/comer/dormir/ter confiança como campeões após o facto. Eles tornam-se campeões exactamente por fazerem todas essas coisas. Por serem capazes de fazer todas essas coisas que os grandes, que já o são efectivamente, também fazem. Por isso é que o Cristiano, com 17 anos, quando começou a treinar no plantel sénior do Sporting ficava horas após o treino a treinar livres quando todos os outros iam para casa. Na cabeça dele ele já estava a fazer aquilo que um melhor do mundo faz. Na cabeça dele ele já era o melhor. Não estava à espera de X momento no futuro para se tornar o melhor. É engraçado porque parece um interruptor que se liga mas é verdade. É um total “shift” mental. É deixar o querer ser para o passar efectivamente a ser.

Espero ter trazido valor a alguém! Deixem um comentário com o que acham!

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