Activismo de Conveniência

Passou agora o Dia da Mulher e vi pelas redes sociais fora muitas marcas a aproveitarem este dia para lançar descontos e/ou a lançar frases fortes sobre a importância do Dia e das Mulheres. Aquilo que, na maioria dos casos, é Activismo de Conveniência.

Nesse dia fiz um inquérito nas stories do meu instagram que perguntava “O que acham de marcas que só demonstram ter consciência social em determinados dias do ano para sacar likes e/ou promover vendas?” com duas opções de resposta: “na boa” ou “irrita-me”. Algumas centenas de pessoas responderam e, tendo em conta que no instagram 74% dos meus seguidores são mulheres, o que foi especialmente interessante pelo dia em questão, 87% responderam “irrita-me”. Apesar de não ser uma amostra grande é uma amostra interessante de millenials. Aqueles mesmos que os estudos dizem que querem que as marcas defendam uma causa. Mas, aparentemente, não querem que uma marca a defenda só de fachada. A surfar a onda só para vender.

E eu percebo perfeitamente a necessidade de vender. De ter as vendas a pressionar para fazermos alguma coisa ou simplesmente sentir que é preciso fazer parte do zeitgeist do dia. Mas a minha questão é: isso compensa a marca ser percepcionada como hipócrita?

O Dia das Mulheres não é um dia inócuo como o Dia dos Namorados. Tem uma carga social e política muito forte. Se querem mesmo comunicar nessa linha, e eu não estou a dizer que têm, mas se o quiserem fazer, porque não fazer como a Vodafone UK fez no ano passado em que comunicaram as medidas que introduziram internamente para promover a igualdade? E vocês podem alegar à mesma que eles só fizeram isso para criar brand equity e, eventualmente, levar a vendas. Tudo bem. Mas, pelo menos, esta comunicação veio na sequência (ou deu origem) a um benefício funcional para a causa em questão. Criaram medidas de igualdade e promoveram-nas. É completamente diferente de comunicarem que a igualdade é fantástica por isso comprem isto com desconto ou dêem cá likes. A Vodafone deu um bom exemplo do que é liderar pelo exemplo.

Será que a causa em si vai ser melhorada de alguma forma pelo teu desconto ou pela frase inspiradora que publicaste? Se a causa te preocupa, e queres mesmo comunicar sobre ela, o que é que estás a fazer em específico para a melhorar?

Usar uma causa social num dia em específico com frases feitas ou para vender é exactamente isso: usar uma causa social. Não é fazer parte de uma causa social. Soa a falso. E atrevo-me a dizer que muita gente percebe isso. Mas digam-me vocês: na boa ou irrita-vos?