A falência da Toys R Us e um pensamento provocador sobre a UberEats

Uma das razões que é atribuída à falência do Toys r Us é eles terem começado a vender através da Amazon em vez de criarem canais próprios de venda online. Em 2000, a Toys R Us assinou um acordo para serem os únicos vendedores de brinquedos na Amazon. Quando uma pessoa entrava no site da Toys R Us era direccionado para a página de logista da marca dentro da Amazon. Em 2004 a Toys R Us rescindiu o acordo porque a Amazon não estava a respeitar essa exclusividade. Este acordo entre as duas marcas teve duas consequências directas para a Toys R Us: 1) A Toys R Us não desenvolveu o seu próprio canal de venda online, dando-lhe um atraso de vários anos face aos seus concorrentes e 2) Diluiu a marca Toys R Us perante a marca Amazon.

As pessoas iam à Amazon para comprar produtos do Toys r Us o que levou a que, a longo prazo, se tornasse indiferente a que marca é que estavam a comprar. Dentro do ecossistema Amazon, há muito pouco que distinga uns vendedores dos outros.

Para quem ia comprar uma Barbie, dentro desse ecossistema, era pouco mais que indiferente a quem é que a comprava. Se à Toys R Us ou a outro qualquer que usasse esse mesmo canal de venda.

A marca Toys R Us – que era um canal de distribuição – ficou diluída perante a força da marca e do canal de distribuição Amazon.

Com isto em mente entretenham este meu pensamento:

Há muita gente a adorar o UberEats. O maior factor de sucesso é a conveniência. Poder comer a comida que se quer sem ter de ir ao restaurante. Sem ter de sair de casa. Muitas marcas/restaurantes estão a aderir ao canal de distribuição porque querem a oportunidade de negócio. É legítimo conjecturar que, a longo prazo, o canal de distribuição conquiste um poder tão grande que diluia as marcas que nele distribuem. Isto será mais difícil para marcas gigantes como a Macdonalds mas poderá aplicar-se aos pequenos restaurantes e pastelarias que utilizam o serviço.

A longo prazo, quando a conveniência do não sair de casa e encomendar estiver tão instituída, o canal de distribuição poderá dizer ao restaurante que mais lá vende: “se queres continuar aqui vamos cobrar-te o dobro da comissão”. Se a marca não quiser, o canal irá substitui-lo por outro. O cliente quer o sushi X. Mas se o canal deixar de o distribuir, é da minha teoria que o cliente irá optar pelo sushi Y. O factor conveniência pesará mais do que o factor marca/restaurante. Tal como a Blockbuster sobre-estimou o facto das pessoas quererem sair de casa para ter uma experiência de loja – o que levou a que substimassem o aparecimento de serviços de streaming como o Netflix – os restaurantes poderão estar a fazê-lo colando-se à ideia romântica de que as pessoas querem a experiência de restaurante. As pessoas procurarão sempre aquilo que lhes trouxer mais conforto e menos atrito.

Posto isto, a minha pergunta é: poderá um canal de distribuição tornar-se tão poderoso que faz desaparecer as marcas que nele distribuem? Por outras palavras, will the distribution channel kill the brand star? Já não é isso que os grandes supermercados fazem quando um produto começa a ter sucesso? Substitui-lo pela sua versão marca própria?

Falem comigo em:

www.instagram.com/franciscobaptista
www.linkedin.com/in/francisbaptista
www.facebook.com/franciscopaisbaptista

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *