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Identidade Auditiva

Uma das principais coisas em que uma pessoa pensa quando está a criar uma marca é na sua identidade visual. O logo, cores que transmitem certas sensações, tipo de letra e elementos gráficos. Mas o que é que acontece se nenhum de nós conseguir ver?

No fim deste ano, 200 milhões de pessoas terão smart speakers em casa e estima-se que em 2023 esse número atinga 500 milhões, ultrapassando já em 2021 a venda de tablets.

Na Web Summit 2017, o Al Lindsay, Head of Product da Alexa, o assistente de voz da Amazon, falou de um fenómeno incrível. Crianças que já nasceram com o Amazon Echo em casa estão tão habituadas a usar a voz para interagir com uma máquina que fazem o mesmo com todos os electrodomésticos de casa e ficam surpreendidas, por exemplo, que o frigorífico não responda de volta como faz o Echo e a Alexa. Segundo ele, com a voz não há “learning curve”. A voz é um interface natural. Eu tenho um smart speaker e o assistente de voz da Google ligado às luzes de casa e adoro. É muito prático poder ligar e desligar as luzes por voz.

Ainda que numa fase muito primária, já há pessoas e empresas a criar apps de voz para aceder em smart speakers. Agora imaginem todo um ambiente, como o ecrã de um telemóvel, em que se vai a um site ou a uma app, mas não há visual. Não havendo visual, como é que a nossa marca se destaca de todas as outras a competir neste espaço? Qual é a versão audio do nosso logo, cores e tipo de letra? Como vai ser a versão audio do nosso site? Qual é a nossa identidade auditiva?

Por esta razão, o CEO Gary Vaynerchuk começou a adicionar aquilo que ele chama “audio branding”, um logo sonoro, no início dos seus vídeos (exemplo no vídeo).

Na minha percepção, haverá uma grande procura por estas respostas nos próximos anos e os “designers de som” vão ter muito trabalho nas mãos.

Um pequeno P.S sobre os próximos influenciadores: 90 milhões de americanos ouvem podcasts todos os meses e 62 milhões todas as semanas. Este número tem crescido de ano para ano. O meio da “influência” é muito visual devido às plataformas onde a atenção está centrada neste momento. No entanto, se houver uma mudança grande da atenção de um ambiente visual para um ambiente auditivo, o influenciador terá de ter uma voz reconhecida. Porque se a pessoa que tem 200 mil seguidores no Instagram e só publica fotografias quiser fazer alguma acção com uma marca no Spotify, isso não lhe vai servir de nada. Ninguém lhe conhece a voz.

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