A misteriosa história do quadro Starry Night do Van Gogh

Após o surto psicótico que o levou a cortar a própria orelha, Vincent Van Gogh foi internado no Asilo de São Paulo na Provença. Em Junho de 1889, o pintor retratou a vista da janela do seu quarto desse asilo. O quadro, uma das suas obras máximas, é conhecido por Starry Night. 115 anos depois, em 2004, com base numa fotografia do telescópio Hubble, cientistas observaram um movimento de pó estelar com estranhas parecenças com o quadro.

As espirais que os cientistas observaram são um fenómeno ainda inexplicável pela física conhecido por Turbulência de Fluídos. Nos anos 40, um cientista soviético chamado Kolmogorov propôs uma equação e o modelo mais aproximado para explicar este fenómeno: “uma cascata de energia – espirais de fluídos maiores que transferem energia para espirais menores e assim sucessivamente”.

O que coloca a pergunta: como é que um pintor recém saído de um surto psicótico que o levou a cortar a própria orelha e a auto-admitir-se num asilo, pinta a melhor representação de um fenómeno físico inexplicável sentado à janela desse mesmo asilo?”. Numa carta do pintor para o irmão, Theo, Vincent disse que o quadro era apenas “um estudo da noite” que “não queria dizer nada”. O céu do quadro está repleto de espirais de estrelas e nuvens. Uma das “tendências” dos pintores impressionistas era tentar retratar os movimentos da luz. No céu ou superfícies líquidas como um lago, por exemplo.

A fascinante razão pela qual o céu do quadro parece estar em movimento deve-se à forma como o nosso cérebro interpreta luz, movimento e cor. A parte mais primitiva do nosso córtex visual que interpreta contrastes de luz e movimento mas não cor vai misturar duas áreas de cor diferente se estas tiverem a mesma intensidade luminosa. Mas a parte do nosso cérebro que interpreta a cor, vê o contraste entre as cores sem as misturar. São estas duas funções cerebrais a acontecer ao mesmo tempo que provocam o efeito visual da luz do quadro parecer que está em movimento. Físicos da Universidade Autónoma do México descobriram que existem “padrões de estruturas de turbulência muito similares à equação de Kolmogorov”. Os cientistas analisaram outros quadros do pintor, do mesmo período do surto psicótico, e, tendo em especial atenção a intensidade luminosa e a forma como esta varia entre pixéis, concluíram que estes se comportam de forma muito similar ao fenómeno científico de Turbulência de Fluídos. Tendo o pintor uma capacidade inexplicável e intuitiva de observar e retratar este fenómeno ainda inexplicável para a ciência.

Está na lista para ver um dia, no MoMA, em Nova York.

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