Personal Branding em 7 passos

Um dos chavões da moda é o personal branding. Todos nós, quer queiramos quer não, temos uma marca pessoal. É a nossa reputação. És um óptimo gestor? É a tua marca. És a pessoa que sabe mais de queijos? É a tua marca. És prepotente e tratas mal os outros? É a tua marca também. Marca é a imagem mental que os outros têm de nós. O que a tecnologia permitiu é que consigamos amplificar a nossa marca pessoal por muito mais gente. Essa amplificação online faz-se criando conteúdo útil para os outros sobre qualquer que seja a área em que queiramos ser reconhecidos.

Faz agora um ano que comecei a publicar estes vídeos e eu nunca poderia antever o caminho por onde eles me levaram. Não só conheci gente incrível como estive na Assembleia da República, recebi muitas propostas de emprego e fui convidado para ser advisor de várias empresas. Chego até a ter pessoas a vir falar comigo na rua, o que é fascinante. Mais importante que tudo, estou a conseguir o objectivo inicial: networking e manter-me presente na cabeça das pessoas, o top of mind, como alguém que trabalha e percebe de marketing.

Por isso queria dar-vos a minha perspectiva sobre como fazer isto. Porque funciona. Só que dá trabalho.

O primeiro aspecto a ter em contar é criar conteúdo útil para os outros. O volume de informação na internet é tão grande que, se eu não publicar algo que traga algo aos outros, a audiência facilmente tem outras coisas a que dedicar a sua atenção. A Mafalda Sampaio dá dicas de maquilhagem. A Alice Trewinnard faz sobre penteados. O Tiago Ramos faz reviews de tech para que nós possamos tomar melhores decisões de compra. O CEO Rui Pedro Alves dá dicas de gestão. O Pedro Rebelo fala de gestão de carreira. Todas estas pessoas partilham coisas práticas que podemos aplicar nas nossas vidas. É conteúdo para os outros. O outro tem de estar em primeiro lugar. Qual é o benefício que a audiência está a retirar do nosso conteúdo? Neste vídeo espero dar-vos uma perspectiva de quem aplicou alguns princípios de marketing a si próprio, como o fiz, e de que forma estou a retirar benefícios disso e como vocês o podem fazer também.

Segundo: em que área, ou nicho, é que querem ficar conhecidos? Queres ser visto como alguém que sabe tudo sobre conservas? Project management? Finanças pessoais? Aprendam sobre a área e partilhem o vosso conhecimento com os outros. E podem dizer: “mas ó Francisco, se eu der o meu conhecimento de borla depois quem é que me vai querer contratar?” A primeira pessoa que eu ouvi a responder a isto foi o Gary Vaynerchuk (que se não seguem, aconselho. Não sou fã dos conteúdos motivacionais mas adoro os de business e marketing). O Gary dá todo o seu conhecimento de borla. E ele diz que faz isto porque a maioria das pessoas nunca o aplica mas ele ganha a brand equity de ser um expert em marketing. Eu vejo isto constantemente a acontecer. Ao dar conhecimento, tipo amostras de queijo no supermercado, estou a criar confiança na cabeça das pessoas de que sei do que falo. As pessoas vêm ter comigo na mesma porque não têm tempo ou vontade de por as coisas em prática. A minha amiga Rita Moura tem uma empresa de brigadeiros e bolos. Há umas semanas sugeri-lhe que ela começasse a publicar vídeos das receitas dela, das coisas que ela vende, no instagram. Esses vídeos de receitas, que as pessoas podiam fazer elas próprias, só lhe trouxeram foi mais gente a querer comprar. Isto é paradoxal mas é real. Dica: usem o site quora.com para descobrirem dúvidas que as pessoas tenham sobre a vossa área e façam conteúdos a responder a isso.

Terceiro, que plataformas utilizar? Blog, youtube, linkedin, instagram, tiktok, twitch? Depende do que fizeres. Coisas sobre as quais as pessoas procurem pode funcionar bem em blog e youtube por causa de SEO. Conteúdos relacionados com meio profissional, a lógica diz linkedin. Mas nada é preto ou branco. Eu sempre achei que o meu espaço é o linkedin, pelo tipo de conteúdos, mas o meu instagram está sempre a surpreender-me. Tenho lá um público muito mais novo que no linkedin mas que interage muito com estes mesmos vídeos. Há vídeos meus que no facebook têm muito poucas visualizações, outro com 2.8 milhões e o de trabalhar muitas horas está prestes a passar as 200 mil. Isto tudo para dizer que não há nada melhor que experimentar. Se o conteúdo já está feito, não me custa nada fazer upload para outras plataformas também. Deixar que seja o público a decidir onde quer consumir os meus conteúdos.

Quarto, responder aos comentários e mensagens. Isto, a meu ver, é tremendamente importante. Tal como uma vez aprendi com o Gary, nas redes sociais toda a gente quer largura e volume – número de seguidores – quando na realidade o mais importante é a profundidade da relação que se tem com eles. Acredito piamente que a única razão pela qual eu tenho pessoas a vir falar comigo na rua, tendo em conta o número baixo de seguidores que tenho, é por eu responder às mensagens e pela proximidade que se cria.

Quinto, se não for um expert não tentar passar por expert. Só vou convencer os que sabem menos que eu. Não vou iludir os que sabem mais. Isto foi uma dica excelente que aprendi com o Gary. Em vez de me colocar num pedestal e dizer aos outros que as coisas são como eu acho que são, digo antes que “a minha percepção diz-me que…” e tento ao máximo justificar tudo com base no que referências da área disseram. Em nenhum vídeo meu me ouviram a dizer como é que acho que os outros devem fazer as coisas. Não tenho galões nos ombros suficientes para isso. Limito-me a partilhar as minhas ideias e percepções das coisas.

Sexto, não sabes fazer vídeo? Podes ir ao youtube e aprender a usar o imovie, o final cut, o premiere ou o clips da Apple. Ou fala só para a câmera e faz upload directo. Não sabes fazer um podcast? Usa o anchor.fm. Um blog? Procura “Como criar um blog wordpress”. Há milhares de tutoriais de tudo e mais alguma coisa no youtube. Igualmente importante é saber as “regras” de cada meio. Por exemplo, em 2016 o Facebook divulgou que 85% dos vídeos na plataforma eram vistos sem som. O mesmo, com maior ou menor percentagem, se aplica às outras redes sociais. Quem não legendar está a perder uma fatia enorme da audiência. Eu também filmo muito perto da cara porque, na minha percepção e teoria, se eu estiver muito longe e a audiência estiver a ver num telemóvel, eu vou aparecer mínimo no ecrã. O que irá criar menor ligação às pessoas.

Sétimo, consistência. A Pipoca Mais Doce criou o blog dela em 2004. A SofiaBBeauty criou o canal quando tinha 12 anos. Quantos milhares de blogs e canais terão sido criados e fechados durante esse tempo? É aquilo que o Simon Sinek chama a diferença entre os jogos finitos e os jogos infinitos. Num jogo finito há regras e oponentes definidos. Uma pessoa joga para derrotar o outro e, aí, ou ao fim de um certo tempo definido, o jogo acaba. Num jogo infinito, como nos negócios, na vida, ou neste caso, uma pessoa joga contra si próprio. Um jogador não sabe em concreto quem são os seus oponentes, nem existe um tabuleiro de jogo definido. O único objectivo é fazer-se melhor do que se fez antes. Num jogo infinito uma pessoa joga para se manter em jogo o maior tempo possível.

Espero que este vídeo vos seja útil! Para se ter uma marca pessoal não é preciso criar conteúdo na internet. As pessoas que nos rodeiam no dia-a-dia e na nossa área irão sempre reconhecer-nos por alguma coisa. Mas criar conteúdo e distribui-lo na internet é uma forma de amplificarmos a nossa imagem e chegarmos a muito mais pessoas. Deixo-vos uma última frase do Gary em que penso sempre que entro em overthinking sobre a qualidade de um conteúdo: “não temos o direito de decidir pelos outros aquilo que eles vão achar bom”. Alguns dos vídeos que eu achei que ninguém ia querer saber, foram os que rebentaram mais. A audiência é que decide. Até ao próximo vídeo!

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